anúncios

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Fazendo o Deploy do site com GitHub Actions

Configurar um site com GitHub Actions para fazer o deploy automático via FTP transforma seu fluxo de trabalho: você faz o git push e o GitHub cuida do resto.

O presente howto explica como fazer o deploy do seu site com GitHub Actions via FTP, comum em hospedagem compartilhada.

Segue os procedimentos:

  1. Salve suas credenciais com segurança
  2. Nunca coloque senhas diretamente no código. No seu repositório no GitHub:

    Vá em Settings > Secrets and variables > Actions.

    Clique em New repository secret e adicione:

    FTP_SERVER: O endereço ou nome de domínio do seu servidor.

    FTP_USERNAME: Seu usuário de FTP.

    FTP_PASSWORD: Sua senha de FTP.

  3. Crie o arquivo de Workflow
  4. No seu projeto local, crie a pasta .github/workflows/ e, dentro dela, um arquivo chamado main.yml. Cole o conteúdo abaixo:

    Se o site foi desenvolvido apenas com HTML, CSS e JS

    No seu projeto local, crie o diretório .github/workflows/ e, dentro dela, um arquivo chamado main.yml. Segue:

    .github/workflows/main.yml

    Se o site foi desenvolvido com React

    Diferente de um site estático simples (HTML/CSS/JS), o navegador não entende diretamente seu código React (JSX). O GitHub Actions precisa rodar o comando de compilação para criar a pasta final com os arquivos otimizados.

    No seu arquivo .github/workflows/main.yml, use esta estrutura

    .github/workflows/main.yml

  5. Suba as alterações
  6. Agora basta commitar e enviar para o GitHub:

    git add .

    git commit -m "Configurando deploy automático"

    git push origin main

    Você pode acompanhar o progresso em tempo real na aba Actions do seu repositório. Se tudo estiver certo, seu site será atualizado em poucos segundos!

Pontos importantes para React:

Diretório Local (local-dir): Se você usa Vite (o padrão atual), a pasta de saída é a dist/. Se usa o antigo Create React App, é a build/.

Roteamento (SPA): Se o seu site usa react-router-dom, lembre-se de configurar um arquivo .htaccess no seu servidor para redirecionar todas as rotas para o index.html, caso contrário, você receberá erro 404 ao atualizar a página.

Variáveis de Ambiente: Se o seu React usa .env, você precisará cadastrar essas variáveis nos Secrets do GitHub e injetá-las no passo de build.

Caso criou o projeto React com Vite, precisa adicionar uma configuração.

O segredo aqui é que o GitHub Actions vai criar um "computador virtual", instalar o Node.js, baixar suas bibliotecas e transformar seu código JSX em arquivos que qualquer servidor entende.

Dica de Ouro: O arquivo .htaccess

Para sites React (Single Page Applications), se você não configurar o servidor, as rotas (ex: ://seusite.com) darão erro 404 ao atualizar a página. Crie um arquivo chamado .htaccess na sua pasta public do projeto com este conteúdo:



  RewriteEngine On
  RewriteBase /
  RewriteRule ^index\.html$ - [L]
  RewriteCond %{REQUEST_FILENAME} !-f
  RewriteCond %{REQUEST_FILENAME} !-d
  RewriteRule . /index.html [L]


ATENÇÃO

  1. Verifique se o nome da pasta de saída no seu projeto é realmente dist (padrão do Vite) ou build.
  2. Certifique-se de que as Secrets (FTP_SERVER, FTP_USERNAME, FTP_PASSWORD) foram adicionadas corretamente no GitHub.
  3. Faça o git push e acompanhe a "mágica" na aba Actions.

Feito!

Executando o Ollama no ambiente Docker

Executar o Ollama no Docker é a maneira mais prática de executar modelos de linguagem (LLMs) localmente, garantindo isolamento do sistema operacional e fácil gerenciamento.

O presente howto explica passo a passo para configurar o Ollama com Docker e instalar modelos, tanto com CPU quanto com GPU.

  1. Pré-requisitos
  2. A premissa é ter o Docker e Docker-Compose instalados, caso ainda não tenha, verifique Instalando Docker e Docker Compose no Linux (qualquer distro) ou Instalando Docker no Windows 10

    Nvidia Container Toolkit (Para GPU): Se você tem uma GPU Nvidia e quer aceleração, instale o Nvidia Container Toolkit para o Docker reconhecer sua placa.

  3. Executar o Ollama no Docker
  4. Abra o seu terminal e utilize os comandos abaixo:

    A. Apenas CPU

    -d: Roda o contêiner em segundo plano (detached mode).

    -v ollama:/root/.ollama:

    Cria um volume chamado ollama para garantir que seus modelos baixados não sejam apagados quando o contêiner for reiniciado.

    -p 11434:11434:

    Mapeia a porta padrão do Ollama.

    B. Com GPU NVIDIA (Aceleração) docker run -d --gpus=all -v ollama:/root/.ollama -p 11434:11434 --name ollama ollama/ollama --gpus=all:

    Permite que o contêiner acesse a GPU.

  5. Instalar e Rodar Modelos Abertos (Ollama Pull/Run)
  6. Com o contêiner rodando, você pode "entrar" nele e baixar os modelos através da CLI (Interface de Linha de Comando).

    Download de um modelo (ex: Llama 3.2):

    docker exec -it ollama ollama pull llama3.2

    Executar o modelo e interagir:

    docker exec -it ollama ollama run llama3.2

    Agora você pode conversar com o modelo diretamente no terminal.

    Outros modelos populares:

    docker exec -it ollama ollama run gemma2

    docker exec -it ollama ollama run deepseek-r1

    docker exec -it ollama ollama run qwen2.5
  7. Como ver os modelos instalados e gerenciar
  8. Para listar os modelos que você já baixou dentro do contêiner Docker, use:

    docker exec -it ollama ollama list

    Para remover um modelo:

    docker exec -it ollama ollama rm nome_do_modelo
  9. Dica Pro: Interface Web (Open WebUI)
  10. Para ter uma experiência tipo "ChatGPT" com o Ollama no Docker, a melhor opção é o Open WebUI.

    Use o docker-compose para rodar o Ollama e a interface gráfica juntos:

    Crie um arquivo docker-compose.yml:

    
    services:
      ollama:
        volumes:
          - ollama:/root/.ollama
        container_name: ollama
        image: ollama/ollama
        ports:
          - "11434:11434"
        networks:
          - ollama-net
        restart: always
    
      open-webui:
        image: ghcr.io/open-webui/open-webui:main
        container_name: open-webui
        volumes:
          - open-webui:/app/backend/data
        ports:
          - "3000:8080"
        environment:
          - OLLAMA_BASE_URL=http://ollama:11434
        networks:
          - ollama-net
        restart: always
    
    networks:
      ollama-net:
    
    volumes:
      ollama:
      open-webui:
    
    

    Execute: docker-compose up -d

    Acesse http://localhost:3000 no seu navegador.

Feito!

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

O segredo da escalabilidade no n8n que poucos conhecem

O n8n usa SQLite por padrão em instalações self-hosted, mas isso pode gerar gargalos de desempenho e concorrência em cenários com múltiplos acessos simultâneos. Para ambientes de produção ou workflows de grande escala, a recomendação oficial é migrar para PostgreSQL.

Banco de dados padrão no n8n

Self-hosted: por padrão, utiliza SQLite (leve, embutido, sem necessidade de servidor separado).

n8n Cloud: planos básicos usam SQLite; apenas planos Enterprise usam PostgreSQL.

Limitações do SQLite

Concorrência limitada: não lida bem com múltiplas conexões simultâneas.

Escalabilidade restrita: adequado apenas para testes, ambientes pessoais ou pequenos projetos.

Risco de bloqueios: em workflows com muitos acessos, pode ocorrer lentidão ou falhas de escrita/leitura.

Recomendações para produção

Migrar para PostgreSQL:

Melhor suporte a conexões simultâneas.

Transações robustas e maior confiabilidade.

Ferramentas de backup, replicação e escalabilidade.

Configuração básica:

Definir variáveis do ambiente Docker:

DB_TYPE=postgresdb
DB_POSTGRESDB_DATABASE, DB_POSTGRESDB_HOST, DB_POSTGRESDB_USER, DB_POSTGRESDB_PASSWORD

Criar usuário e banco dedicados para o n8n.

Comparativo Rápido

Critério SQLite (default) PostgreSQL (recomendado)
Instalação Simples, embutido Requer servidor dedicado
Concorrência Limitada Alta, ideal para múltiplos acessos
Escalabilidade Baixa Elevada, suporta clusters
Manutenção Fácil Mais complexa, mas robusta
Uso ideal Testes, projetos pequenos Produção, workflows críticos

Considerações finais

Se você pretende rodar o n8n em produção com múltiplos usuários ou workflows pesados, não use SQLite. Configure PostgreSQL para garantir estabilidade, desempenho e escalabilidade.

Feito!

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

O melhor método para aprender qualquer idioma

Aprender um novo idioma é um objetivo comum entre profissionais de tecnologia, estudantes e pessoas que desejam crescer pessoal e profissionalmente. No entanto, apesar da enorme oferta de cursos, aplicativos e métodos milagrosos, muitos acabam frustrados por não alcançarem fluência.

A verdade é simples e, ao mesmo tempo, poderosa: o melhor método para aprender qualquer idioma é o mesmo que você utilizou para aprender sua língua materna quando era bebê/criança.

Esse método segue uma ordem natural:

  • Ouvir
  • Falar (repetindo o que ouviu)
  • Ler
  • Escrever

E sim, esse mesmo processo se aplica a qualquer idioma, seja inglês, espanhol, francês, italiano, alemão, russo ou até mesmo linguagens técnicas usadas no dia a dia da área de TI.

Como Analista Desenvolvedor, com mais de 8 anos de experiência em tecnologia, documentação técnica, leitura de código e aprendizado constante, posso afirmar: idiomas se aprendem como sistemas — por exposição, prática contínua e uso real.

No presente artigo, vou explicar esse método em profundidade, com exemplos práticos, gratuitos e aplicáveis à rotina de quem trabalha com tecnologia.

Como aprendemos nosso idioma nativo

Quando você era bebê, ninguém lhe entregou um livro de gramática.

Você não começou decorando regras, tempos verbais ou exceções.

O processo foi natural:

  • Você ouviu as pessoas ao seu redor o tempo todo
  • Começou a repetir sons, mesmo errando
  • Aos poucos passou a associar sons a significados
  • Depois veio a leitura
  • Por fim, a escrita

Esse aprendizado aconteceu por imersão, não por memorização.

E aqui está o erro mais comum ao aprender um novo idioma na fase adulta: tentar inverter a ordem.

O erro clássico no aprendizado de idiomas

A maioria das pessoas começa assim:

  • Estudando gramática
  • Decorando regras
  • Traduzindo palavra por palavra

Isso gera um efeito colateral grave: a pessoa entende, mas não fala.

Na área de TI, isso é semelhante a:

Ler sobre uma linguagem de programação, mas nunca escrever código.

Você até entende o conceito, mas trava na hora de aplicar.

Idiomas funcionam exatamente da mesma forma.

Etapa 1: Ouvir (Input antes de Output)

O primeiro passo é ouvir massivamente.

Antes de falar bem, você precisa se acostumar com o som do idioma.

Exemplos práticos (100% gratuitos)

  • Vídeos no YouTube
  • Podcasts
  • Séries e filmes
  • Conteúdos técnicos (no caso de TI)

Se você trabalha com tecnologia, isso é uma enorme vantagem.

Exemplos para profissionais de TI:

  • Palestras técnicas no YouTube (conferências, talks)
  • Vídeos de código comentado
  • Podcasts de tecnologia em inglês

Mesmo sem entender tudo, seu cérebro começa a reconhecer padrões.

Assim como acontece quando você aprende uma nova stack ou framework.

Imersão total no dia a dia

É necessário fazer uma imersão 100% no idioma que se quer aprender, utilizando esse idioma nos dispositivos e ferramentas usadas diariamente.

Isso significa alterar o idioma do sistema operacional, celular, navegador, IDE, documentação e ferramentas de trabalho. Essa mudança força o cérebro a lidar com o idioma de forma constante, criando familiaridade com termos, estruturas e padrões, exatamente como acontece na infância, quando aprendemos nossa língua materna por exposição contínua.

Para profissionais de TI, essa imersão é ainda mais natural: logs, mensagens de erro, documentações oficiais, commits e issues já estão majoritariamente em inglês. Ao parar de traduzir tudo e passar a conviver com o idioma, o aprendizado acelera drasticamente.

Etapa 2: Falar (repetição sem medo de errar)

Bebês falam errado.

E ninguém ri deles.

Eles aprendem porque repetem.

No aprendizado de idiomas, o adulto trava porque tem medo de errar.

Mas errar é parte do processo.

Técnicas práticas e gratuitas

  • Repetir frases em voz alta
  • Fazer shadowing (ouvir e repetir junto)
  • Falar sozinho descrevendo ações do dia

Exemplo prático:

Ao assistir um vídeo técnico:

"This API handles authentication"

Pause e repita em voz alta.

Não traduza. Apenas repita.

Isso é muito parecido com aprender comandos no terminal Linux:

Você não pensa em português, você executa.

Etapa 3: Ler (reforçando padrões)

Depois de ouvir bastante, a leitura passa a fazer sentido.

Aqui, novamente, profissionais de TI saem na frente.

Exemplos práticos:

  • Documentações oficiais
  • Artigos técnicos
  • Blogs de tecnologia
  • Issues no GitHub

Você começa a perceber algo interessante:

Aquilo que você ouviu, agora aparece escrito.

Isso cria conexões mentais fortes.

Assim como quando você lê código depois de já ter visto exemplos funcionando.

Etapa 4: Escrever (organizando o pensamento)

A escrita é a etapa mais avançada.

Ela exige:

  • Vocabulário
  • Estrutura
  • Clareza de pensamento

Por isso, ela vem por último.

Como praticar gratuitamente

Escrever comentários em inglês

Criar pequenos textos no LinkedIn

Escrever README.md em projetos pessoais

Documentar código em inglês

Como profissional de TI, você pode transformar o aprendizado em algo produtivo.

Você aprende o idioma e melhora seu portfólio.

A conexão direta com a área de TI

Aprender idiomas é muito parecido com aprender tecnologia.

Aprendizado de Idiomas Aprendizado em Programação
Ouvir Ver exemplos e demonstrações
Falar Programar e executar código
Ler Ler documentação e artigos técnicos
Escrever Criar projetos, documentar e refatorar código

Ninguém aprende programação apenas lendo livros.

E ninguém aprende idiomas apenas estudando gramática.

A importância da consistência

Bebês e crianças aprendem porque estão expostos todos os dias.

Não é intensidade. É constância.

Melhor:

20 minutos por dia

Do que:

3 horas uma vez por semana

Na TI, isso é o mesmo que:

Estudar um pouco todos os dias ao invés de maratonar conteúdos.

Gramática: inimiga ou aliada?

Gramática não é vilã.

Ela só não deve ser o ponto de partida.

Use gramática como:

  • Ajuste fino
  • Correção de erros
  • Consolidação

Nunca como base principal.

Um plano simples e realista

Rotina diária

10 min ouvindo conteúdo

5 min repetindo frases

5 min lendo algo simples

Total: 20 minutos por dia

Sem custo.

Sem pressão.

Considerações finais

O melhor método para aprender qualquer idioma já é conhecido por você.

Você usou ele quando aprendeu a falar.

A diferença é que agora você é adulto, trabalha com tecnologia e tem acesso a uma quantidade absurda de conteúdo gratuito.

Se você:

  • Ouvir
  • Falar
  • Ler
  • Escrever

Na ordem correta.

Com constância.

Sem medo de errar.

Você aprende.

Idiomas não são diferentes de sistemas, frameworks ou linguagens de programação.

Eles exigem exposição, prática e uso real.

E isso, como profissional de TI, você já sabe fazer muito bem.

Feito!

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

A maturidade do desenvolvedor que fala por si através dos commits

Em processos seletivos técnicos, avaliações de performance ou até em análises informais entre pares, um padrão recorrente chama a atenção de qualquer desenvolvedor experiente ou arquiteto de software: repositórios públicos com um único commit intitulado "first commit", acompanhados de um README.md padrão gerado automaticamente por frameworks como React, Angular, Vue.js, Laravel, Spring Boot, Quarkus, NestJS ou AdonisJS.

Esse padrão, embora comum, carrega sinais claros, não apenas sobre o projeto em si, mas sobre o nível de maturidade profissional de quem o publica. O problema não está em fazer cursos online, tampouco em utilizar boilerplates ou scaffolds. O problema está em não compreender o repositório como um artefato profissional, parte essencial do portfólio e da narrativa técnica do desenvolvedor.

No presente artigo, vamos analisar de forma argumentativa por que commits granulares, históricos evolutivos e READMEs bem escritos são indicadores concretos de senioridade, pensamento arquitetural e responsabilidade profissional.

O repositório como evidência de pensamento técnico

Um repositório Git não é apenas um local de armazenamento de código. Ele é, essencialmente:

  • Um registro histórico de decisões técnicas
  • Uma linha do tempo da evolução de uma solução
  • Um documento vivo de arquitetura, domínio e trade-offs

Quando um projeto possui apenas um commit genérico, o que se perde não é apenas a granularidade do código, mas a capacidade de avaliação do raciocínio técnico. Um arquiteto, um Tech Lead ou um recrutador sênior não avalia apenas o que foi feito, mas como foi feito.

E o "como" está nos commits.

Commits não são burocracia: são comunicação

Existe um equívoco comum entre desenvolvedores iniciantes (e até intermediários e avançados): tratar commits como uma obrigação mecânica, algo que "precisa existir" apenas para subir o código ao repositório remoto.

Na prática, commits são mensagens de comunicação assíncrona entre:

  • Desenvolvedores do time
  • O "eu do futuro"
  • Revisores de código
  • Auditores técnicos
  • Ferramentas de CI/CD
  • Gestores técnicos

Um histórico saudável de commits revela:

  • Implementação incremental de features
  • Correções de bugs contextualizadas
  • Refatorações conscientes
  • Ajustes arquiteturais
  • Evolução de requisitos

Um único "first commit" apaga toda essa narrativa.

Projetos de curso vs. projetos autorais

Não há absolutamente nenhum problema em publicar projetos de cursos. O problema surge quando eles são apresentados como projetos autorais sem qualquer contextualização.

Projetos de curso geralmente têm características claras:

  • Commits únicos ou genéricos
  • README padrão do framework
  • Ausência de contexto de negócio
  • Código muito similar a centenas de outros repositórios
  • Falta de decisões arquiteturais explícitas

Já projetos autorais, mesmo simples, costumam apresentar:

  • Commits por feature ou tarefa
  • Ajustes progressivos de estrutura
  • README explicativo
  • Escolhas tecnológicas justificadas
  • Código com identidade própria

Para um arquiteto de software, essa distinção é evidente em poucos minutos de análise.

README.md: o documento mais subestimado do projeto

O README.md é, frequentemente, o primeiro e às vezes único ponto de contato de alguém com o projeto. Ainda assim, muitos repositórios mantêm:

  • README padrão do React (npm start, npm test, etc.)
  • README vazio
  • README genérico sem contexto

Isso é um erro estratégico.

Um bom README não serve apenas para explicar como rodar o projeto. Ele serve para responder perguntas fundamentais:

  1. Qual é o objetivo do projeto?
  2. Todo projeto nasce de um problema. Um README profissional deixa isso explícito.

    Exemplo:

    "Este projeto surgiu da necessidade de automatizar o controle financeiro pessoal, reduzindo erros manuais e centralizando informações de receitas, despesas e contas."

    Isso demonstra pensamento orientado a problema, não apenas a tecnologia.

  3. Qual problema motivou a solução?
  4. Arquitetura começa no problema, não no framework.

    Explicitar o contexto inicial demonstra:

    • Capacidade de análise
    • Entendimento de domínio
    • Clareza de propósito
  5. Quais decisões técnicas foram tomadas e por quê?
  6. Não basta listar tecnologias. É preciso justificar.

    Exemplo:

    Por que React e não Angular?

    Por que PostgreSQL e não MySQL?

    Por que arquitetura monolítica e não microsserviços?

    Essa seção diferencia um executor de código de um engenheiro de software.

  7. Stack tecnológica utilizada
  8. Aqui sim entra a lista objetiva:

    • Linguagem
    • Frameworks
    • Banco de dados
    • Ferramentas auxiliares
    • Infraestrutura (quando aplicável)

    Mas sempre com coerência com o problema proposto.

  9. Como configurar e executar o projeto localmente
  10. Essa é a parte que muitos confundem como sendo "todo o README".

    Ela é importante, mas não suficiente.

    Inclua:

    • Pré-requisitos
    • Variáveis de ambiente
    • Scripts de execução
    • Observações específicas do ambiente

    Isso demonstra preocupação com reprodutibilidade, um conceito fundamental em engenharia de software.

Commits granulares refletem maturidade

Vamos ser diretos:

Desenvolvedores seniores não trabalham com um commit único por projeto.

Commits granulares indicam:

  • Organização mental
  • Capacidade de dividir problemas
  • Disciplina técnica
  • Experiência com trabalho colaborativo
  • Familiaridade com revisão de código

Exemplos de bons commits:

  • feature: adicionar cadastro de usuários
  • fix: corrigir cálculo de saldo negativo
  • refactor: separar camada de serviço
  • docs: atualizar README com instruções de setup

Esses commits contam uma estória. E arquitetos avaliam estórias.

O impacto disso em processos seletivos

Em entrevistas técnicas mais maduras, o repositório Git é analisado como:

  • Evidência prática de experiência
  • Fonte de discussão arquitetural
  • Base para perguntas profundas

Um repositório com um único commit limita drasticamente essa conversa. Já um projeto bem versionado permite perguntas como:

  • "Por que você refatorou essa parte?"
  • "O que motivou essa decisão?"
  • "Como você lidaria com esse código em escala?"

Ou seja: abre espaço para avaliar senioridade real.

Frameworks não definem senioridade

Outro ponto crítico: usar React, NextJS, Angular, Vue.js, Laravel, Spring Boot, Quarkus, NestJS, AdonisJS não torna ninguém automaticamente sênior. Frameworks são ferramentas. O que define maturidade é:

  • Capacidade de modelar domínio
  • Clareza arquitetural
  • Organização do código
  • Evolução incremental
  • Comunicação técnica (commits e README)

Manter apenas o README padrão do framework passa a mensagem de que o projeto não foi apropriado pelo desenvolvedor, apenas executado.

O repositório como produto profissional

Um arquiteto de software enxerga o repositório como um produto em si. Mesmo projetos pessoais seguem padrões profissionais porque refletem:

  • Identidade técnica
  • Rigor conceitual
  • Postura profissional

Isso é especialmente relevante para quem:

  • Busca posições sênior
  • Atua como PJ
  • Trabalha como consultor
  • Quer se posicionar como especialista

Seu GitHub é, na prática, um cartão de visitas técnico.

Qualidade não está na quantidade de projetos

Outro erro comum é tentar compensar falta de profundidade com volume de repositórios. Dez projetos com:

  • Um commit cada
  • README genérico
  • Código semelhante

Valem menos do que um único projeto bem documentado, versionado e contextualizado.

Arquitetura é profundidade, não superficialidade.

Considerações finais

Repositórios com apenas um "first commit" e README padrão não são, por si só, um problema técnico. Eles são um sinal. Um sinal de que o desenvolvedor ainda não internalizou que:

  • Código é comunicação
  • Versionamento é narrativa
  • README é documentação estratégica
  • Projetos contam histórias profissionais

Como Analista Desenvolvedor Sênior (Full Cycle Developer), afirmo: não é a stack que revela maturidade, é o cuidado com o todo. Commits bem feitos, README bem escrito e clareza de propósito são marcas de quem entende que software é mais do que código, é engenharia, contexto e decisão.

Se o seu repositório fala pouco, ele será interpretado como pouco.

Faça com que ele fale por você.

Feito!

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Engenharia de Software além do Hype

Em um mercado frequentemente guiado por tendências, frameworks da moda e promessas de produtividade instantânea, projetos com stack legada costumam ser vistos como algo a ser evitado. No entanto, essa visão simplista ignora um aspecto fundamental da engenharia de software: software existe para sustentar negócios, não para satisfazer preferências tecnológicas.

Atuar em projetos legados não é sinal de atraso técnico. Pelo contrário, muitas vezes é ali que se exerce engenharia de software em seu estado mais puro.

Stack legada não sobrevive por acaso

Um sistema que permanece ativo por anos, ou décadas, não o faz por inércia. Ele permanece porque:

  • Resolve um problema real
  • Sustenta operações críticas
  • Gera receita
  • Está profundamente integrado ao negócio

Se fosse irrelevante, já teria sido descartado.

Do ponto de vista empresarial, longevidade é evidência de valor. Sistemas legados geralmente representam investimentos já amortizados, com custo previsível e retorno conhecido. Substituí-los implica risco operacional, custo elevado e, frequentemente, perda de conhecimento implícito.

Tecnologia é meio, não o fim

Uma das principais armadilhas na carreira de desenvolvedores é confundir stack com valor profissional. Frameworks, linguagens e ferramentas são transitórios. O que permanece é a capacidade de:

  • Entender regras de negócio
  • Traduzir requisitos complexos em soluções estáveis
  • Tomar decisões técnicas considerando impacto financeiro e operacional

A stack é apenas o instrumento pelo qual o negócio se materializa em software. Apegar-se excessivamente à tecnologia, ignorando o domínio, é um erro comum em perfis mais juniores.

Engenheiros de software maduros entendem que:

  • Dominar o negócio é o que permite dominar a tecnologia, e não o contrário.

O verdadeiro desafio do legado não é técnico

Contrariando o senso comum, o maior desafio em projetos legados raramente é a linguagem ou o framework utilizado. O desafio real está em:

  • Regras de negócio não documentadas
  • Exceções históricas codificadas ao longo do tempo
  • Dependências críticas entre módulos
  • Fluxos que refletem decisões estratégicas do passado

Esses sistemas carregam conhecimento tácito, muitas vezes ausente em documentação formal. Quem compreende esse contexto passa a ser um agente-chave dentro da organização.

Engenharia de software acontece de verdade no legado

Projetos legados exigem práticas que vão além de "codar features":

  • Leitura e interpretação crítica de código
  • Análise de impacto antes de qualquer mudança
  • Refatorações incrementais e seguras
  • Forte preocupação com regressão
  • Conservadorismo técnico quando o risco é alto

Não há espaço para soluções impulsivas ou reescritas ingênuas. Aqui, decisões erradas não geram apenas bugs, geram prejuízo financeiro, indisponibilidade e perda de confiança.

Isso é engenharia de software aplicada à realidade.

Modernizar não é reescrever do zero

Desenvolvedores experientes sabem que a maioria dos grandes fracassos tecnológicos vem da tentativa de "jogar tudo fora e começar de novo".

Em projetos maduros, modernização acontece por:

  • Estrangulamento gradual
  • Introdução de novas camadas
  • Criação de APIs e contratos estáveis
  • Evolução controlada, não ruptura

Nesse contexto, o conhecimento da stack legada é o que viabiliza a evolução, não o que impede.

Valor profissional de quem domina sistemas legados

No mercado, profissionais capazes de sustentar e evoluir sistemas críticos possuem características raras:

  • Visão sistêmica
  • Capacidade analítica elevada
  • Comunicação com áreas de negócio
  • Responsabilidade técnica real

Esses profissionais:

  • Reduzem risco operacional
  • Aumentam a previsibilidade
  • Tomam decisões alinhadas ao negócio
  • São difíceis de substituir

Enquanto stacks mudam, o engenheiro que entende o negócio permanece relevante.

Considerações finais

Atuar em projetos com stack legada não é um retrocesso técnico. É um exercício de maturidade profissional.

  • Stacks passam.
  • Frameworks mudam.
  • Negócios permanecem.

O engenheiro de software que compreende isso deixa de ser apenas um executor de código e passa a ser um agente estratégico, capaz de sustentar, evoluir e proteger sistemas que realmente importam.

No fim, a tecnologia é apenas o meio.

O valor está no impacto que ela gera.

Feito!

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

A melhor ferramenta para testar sites e aplicações web responsivos

Se você trabalha com desenvolvimento web, já deve ter enfrentado o desafio de testar como um site ou aplicação se comporta em diferentes tamanhos de tela. Garantir que uma interface funcione bem em celulares, tablets e desktops é fundamental, e é exatamente aí que entra o Responsively App.

No presente artigo, você vai entender o que é essa ferramenta, como ela funciona, quais são suas principais vantagens e por que ela pode transformar sua produtividade no desenvolvimento de layouts responsivos.

O que é o Responsively App?

O Responsively App é uma plataforma open-source criada para facilitar o teste de sites responsivos. Trata-se de um navegador especializado para desenvolvedores e designers, que permite visualizar simultaneamente uma aplicação web em vários dispositivos e resoluções diferentes.

Diferentemente do modo responsivo presente no Chrome DevTools ou em outros navegadores, o Responsively App oferece uma experiência muito mais prática e produtiva, centralizando todos os testes em uma única interface.

Com ele, você pode:

  • Testar sua aplicação em várias telas ao mesmo tempo
  • Simular smartphones, tablets e desktops
  • Sincronizar cliques, scroll e navegação
  • Inspecionar elementos de forma unificada
  • Acompanhar mudanças em tempo real
  • Tudo isso em um único ambiente.

Por que testar responsividade é tão importante?

Hoje, a maior parte dos acessos à internet acontece por dispositivos móveis. Isso significa que um site mal adaptado para telas menores pode resultar em:

  • Perda de usuários
  • Queda nas taxas de conversão
  • Piora na experiência do cliente
  • Impacto negativo no SEO

O Google prioriza páginas otimizadas para mobile. Portanto, garantir um layout responsivo não é apenas uma questão estética, mas também estratégica.

Ferramentas como o Responsively App tornam esse processo muito mais rápido e preciso.

Principais funcionalidades do Responsively App

Visualização simultânea em múltiplos dispositivos

Essa é a funcionalidade mais marcante da plataforma.

Ao abrir um site ou aplicação, o Responsively App exibe automaticamente várias versões lado a lado, simulando diferentes dispositivos como:

  • iPhone
  • Android
  • Tablets
  • Monitores maiores

Qualquer interação feita em uma tela é replicada em todas as outras ao mesmo tempo.

Isso permite identificar rapidamente problemas como:

  • Quebra de layout
  • Fontes desalinhadas
  • Elementos cortados
  • Erros de usabilidade
  • Sincronização de interações

Um grande diferencial é a sincronização completa:

  • Scroll
  • Cliques
  • Preenchimento de formulários
  • Navegação entre páginas

Tudo é refletido em todas as visualizações, economizando muito tempo em comparação aos testes tradicionais.

Inspector unificado

O Responsively App conta com um painel de inspeção integrado, que permite:

  • Analisar HTML e CSS
  • Verificar estilos aplicados
  • Debugar problemas de layout

Esse recurso substitui a necessidade de abrir múltiplos DevTools em vários navegadores.

Dispositivos personalizados

Além dos dispositivos já configurados, você pode criar seus próprios perfis de tela, definindo:

  • Largura
  • Altura
  • User Agent
  • Densidade de pixels

Isso é muito útil para testar resoluções específicas de clientes ou projetos.

Integração com ambiente de desenvolvimento

Se você trabalha com essas stacks front-end como:

  • apenas HTML+CSS+JS
  • React
  • Angular
  • Vue.js
  • Next.js

O Responsively App é um excelente complemento. Ele suporta hot reload e atualizações em tempo real, refletindo automaticamente as mudanças no código.

Vantagens de usar o Responsively App

Entre os principais benefícios estão:

  • Aumento de produtividade
  • Redução do tempo de testes
  • Identificação rápida de problemas
  • Fluxo de trabalho mais profissional
  • Interface simples e intuitiva
  • Ferramenta totalmente gratuita

Para desenvolvedores front-end, UI/UX designers e profissionais de QA, trata-se de uma ferramenta praticamente indispensável.

Responsively App substitui testes reais?

É importante deixar claro: nenhuma ferramenta substitui totalmente o teste em dispositivos reais.

O Responsively App deve ser visto como um poderoso aliado no processo inicial de desenvolvimento e validação visual. Ele ajuda a encontrar rapidamente a maioria dos problemas, mas testes finais em smartphones e navegadores reais continuam sendo recomendados.

Como começar a usar o Responsively App

Para começar a utilizar é muito simples:

  • Acesse o site oficial: https://responsively.app

  • Faça o download da versão compatível com seu sistema operacional
  • Instale no Windows, macOS ou Linux

Abra a aplicação e informe a URL do seu projeto

Em poucos minutos você já estará testando suas interfaces de forma profissional.

Considerações finais

O Responsively App é uma das melhores ferramentas gratuitas disponíveis hoje para desenvolvimento web responsivo.

Ele oferece um ambiente prático, produtivo e moderno para testar aplicações em múltiplos dispositivos, economizando tempo e evitando retrabalho.

Se você desenvolve interfaces web e ainda não utiliza essa ferramenta, está perdendo uma excelente oportunidade de otimizar seu fluxo de trabalho.

Experimente o Responsively App e eleve o nível dos seus projetos front-end.

Feito!